Artigo Anais do X ENALIC e o IX Seminário Nacional do PIBID

ANAIS de Evento

ISSN: 2526-3234

O PIBID QUILOMBOLA KALUNGA: APRENDENDO COM CERÂMICAS E SEMENTES

Palavra-chaves: ESCOLA QUILOMBOLA, POLITICAS EDUCACIONAIS, AGROECOLOGIA, TERRITÓRIO, RESISTÊNCIA Relato de Experiência (RE) ET 08: Formação inicial e continuada de professores
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Publicado em 02 de fevereiro de 2026

Resumo

A experiência a que se refere este relato se passa no contexto do Programa de Iniciação à Docência (PIBID), no âmbito da Licenciatura em Educação do Campo da UNB, em parceria com os projetos de extensão Barro Vivo e Semeando Agroecologia. Trata-se do Pibid Quilombola, realizado junto ao Colégio Estadual Kalunga “Mãe França” (Teresina de Goiás - GO), com o objetivo de fortalecer a educação escolar quilombola (EEQ) no território. Para isso, o Programa articula duas frentes de trabalho: a da formação dos licenciandos em educação do campo durante o tempo-universidade da LEdoC e a de desenvolvimento de projetos socioeducativos com turmas da educação básica durante do tempo-comunidade. Considerando os preceitos da EEQ, dois temas geradores organizam a reflexão-ação do Pibid, nessa alternância de tempos/espaços, o das sementes crioulas e o da cerâmica artesanal. Inúmeros desafios são enfrentados neste contexto, uma vez que, na escola, o governo estadual implantou um programa de ensino baseado em tele aulas, descontextualizadas do universo quilombola e conflitantes com um projeto de pertencimento escolar e emancipatório para professores, estudantes e comunidade. Ademais, o Programa, voltado inicialmente à EJA, precisou realizar-se no ensino regular fundamental, até o presente momento, uma vez que a secretaria de educação ainda não consolidou a turma de EJA. Nas brechas do sistema, entretanto, em parceria com a supervisora local e outros professores que resistem ao sistema de ensino imposto à escola, várias práticas educativas são desenvolvidas pelo PIBID, como: aulas e vivências de etnomatemática e de ciências humanas, ligadas à cerâmica e ao patrimônio das sementes; produção de materiais didáticos, entre outras ações. Neste contexto, o patrimônio cerâmico da comunidade Ema, onde se situa a escola, tem sido valorizado/visibilizado e o patrimônio genético alimentar das sementes crioulas recuperado/salvaguardado. Os anciões e anciãs, guardiões desse patrimônio, ganham destaque na EEQ.

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